Surgimento da Fisioterapia no Brasil
Por Eliane Marins Carvalhaes*
Como conseqüência da vinda da família real para o Brasil, junto com os monarcas vieram os nobres e o que havia de recursos humanos de várias áreas para servir à elite portuguesa, que contribuiu indiretamente com o desenvolvimento dos primeiros serviços organizados de fisioterapia no país. O surgimento de escolas de ensino médico, obra dos portugueses, destaca em particular os avanços do Rio de Janeiro. No século XIX, os recursos fisioterápicos faziam parte da terapêutica médica, tendo registros de usos de hidroterapia e eletricidade médica entre 1879 e 1883, Arthur Silva em 1884 foi o médico que participou intensamente da criação do primeiro serviço de Fisioterapia da América do Sul, organizado no Hospital de Misericórdia do Rio de Janeiro. Em São Paulo, no entanto, o médico Raphael Penteado de Barros é o fundador do departamento de eletricidade médica nos anos de 1919, onde hoje funciona a USP.
Rio de Janeiro e São Paulo na década de 30 possuíam serviços de fisioterapia que era idealizado por médicos que praticavam a terapêutica de forma integral usando recursos físicos. Esse grupo de médicos que trabalhavam com recursos fisioterápicos estava preocupado com a recuperação física dos pacientes para que pudessem voltar a vida em sociedade com funções iguais ou parecidas exercidas antes do período patológico. Esses médicos que promoviam a reabilitação dos pacientes foram chamados de médicos de reabilitação. As faculdades de Medicina davam embasamento cientifico pelo conhecimento adquirido pelos cientistas europeus sobre fisiologia humana e o emprego dos recursos hídricos, elétricos e térmicos, através de apresentações de teses e trabalhos que criou uma cultura de atenção diferenciada para as deficiências físicas, mentais e sensoriais, foi um período onde se tornou possível recuperar as funções dos seres humanos que tinham alguma perspectiva de melhorar suas incapacidades e/ou recuperarem totalmente sua função perdida.
2° Guerra Mundial. Com a 2º guerra soldados brasileiros foram enviados para fazer frente de combate dos aliados, essa participação trouxe a prática da fisioterapia na recuperação das seqüelas físicas da guerra, com o desenvolvimento e a modernização da fisioterapia no RJ e SP novos serviços surgiram em outras capitais. Em 1951 em SP, na USP, surgiu o primeiro curso de fisioterapia no Brasil para a formação de técnicos, com duração de um ano em período integral para alunos com segundo grau completo. Foi ministrado por médicos. A necessidade de um curso era devido ao aumento da procura pelos serviços já oferecidos. Os ensinamentos eram restritos nas faculdades de medicina, os primeiros profissionais eram auxiliares de médicos. No Brasil o ensino da fisioterapia restringia-se a aprender reproduzir mecanicamente determinadas técnicas de massagem e exercícios e ligar/desligar aparelhos, tudo sob prescrição e orientação medica. Somente em 1952 no RJ que a fisioterapia é retomada na Faculdade de Ciências Médicas. Em 1959 com a fundação do INAR (Instituto Nacional de Reabilitação), influenciado pelo grupo norte-americano que veio a SP, pela seção latina da Organização Mundial de Saúde (OMS), o curso foi ampliado para dois anos e não era de nível superior ainda, o INAR mais tarde se transformou em IR (Instituto de Reabilitação), em 1964 cursos de níveis superiores de fisioterapia e terapia ocupacional foram implantados.
O Conselho Federal de Educação (CFE) no parecer 388/63 definiu a ocupação do fisioterapeuta como um auxiliar médico, fazendo apenas tarefas de caráter terapêutico, não podendo avaliar o paciente e as tarefas deveriam ser prescritas anteriormente pelo médico, todo desempenho e exercício eram sob orientação médica. A Associação do fisioterapeuta do Estado de São Paulo foi fundada em 19 de agosto de 1959 e hoje é denominada Associação Brasileira de Fisioterapia (ABF), que lutou pela transformação do curso de nível técnico para nível superior como também pela organização da categoria para o reconhecimento pela União. Um marco no reconhecimento profissional do fisioterapeuta foi a junta militar que governava o país em 1969, com a assinatura do Decreto-lei nº938, nos anos 70 forma-se os sistemas como COFFITO- Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional pela Lei 6.316, de 17 de dezembro de 1977 e os CREFITO’s por regiões administrativas, sendo nessa época apenas três.Nos dias atuais o auxiliar de fisioterapia é uma profissão não legalizada.
Na Resolução COFFITO 80 define como objeto de estudo do fisioterapeuta o movimento humano em todas as suas formas de expressão e como objetivos preservar, manter, desenvolver ou restaurar funções, fazendo uso de avaliações físico-funcionais, prescrever o uso de técnicas de acordo com o tratamento adequado e fazer uso de técnicas e tecnologias, podendo trabalhar em diversas áreas, como PSF, clínicas, atendimento a domicílio, spas, entre ouros lugares, bem como na iniciação científica. Somos profissionais que trabalham diretamente com o ser humano e com nossas mãos podemos evitar ou minimizar suas dores, dar-lhes um relaxamento através de um toque e fazer com que se sentam melhores. Sejamos profissionais humanistas e entregues àquilo que nos dispomos, sermos profissionais capacitados.
Baseado em: Pequeno Histórico do Surgimento da Fisioterapia no Brasil e suas entidades Representativas.
JUNIOR, Rivaldo Rodrigues Novaes. Estudos 2. ano1. n.2. p. 46-52. ago-dez 2000.
*Eliane Marins Carvalhaes é acadêmica do primeiro período de Fisioterapia pela Faculdade Adventista da Bahia.