Corpos Estranhos

Olho

O olho é uma área de grande sensibilidade, sendo necessário muito cuidado com todo tipo de ocorrência que possa lesá-los. Por isso, a existência de corpos estranhos nesta região deve ser tratada com muita cautela e atenção, fazendo uso de algumas técnicas muito simples. Estas, quando não conseguem retirar o objeto, buscam estabilizá-lo, de forma que ele não possa agravar ainda mais a situação.

Para o uso correto das técnicas é importante diferenciar qual a relação entre estes corpos e o(s) olho(s) afetado(s). Deste ponto de vista, os corpos estranhos no olho podem ser classificados em móveis e fixos.Os móveis são principalmente ciscos e cílios, mas podem ser também líquidos como ácidos, bases e outras substâncias químicas ou insetos. Assim sendo, a melhor forma para sua retirada é a lavagem com água corrente no sentido de medial para lateral (do nariz para orelha) por aproximadamente 15 minutos. Se o corpo estranho estiver debaixo da pálpebra, poderá ser utilizada a manobra de eversão palpebral a qual exporá a mucosa da mesma. Com a mucosa exposta será feita a tentativa de pescar este corpo estranho com uma gaze umedecida em água ou soro fisiológico.

Os fixos são considerados tipos mais lesivos de corpos estranhos no olho por perfurarem o globo ocular. Podem ser pequenas limalhas de ferro, farpas de madeira ou mesmo objetos maiores como facas, espetos de churrasco e muitos outros.

A retirada destes materiais deve ser realizada a nível hospitalar, visto que podem ocasionar hemorragias profusas além de outras lesões em estruturas vizinhas. O atendimento de primeiros socorros, nestes casos, limita-se a simples fixação do objeto e oclusão do olho cotralateral como prevenção ao agravamento das referidas lesões.

A fixação do objeto é feita através de um curativo oclusivo não compressivo cuja forma vai depender do tamanho do objeto. Também aqui será exigido o bom senso do socorrista, pois terá que adequar os recursos que dispõe a situação que lhe é apresentada. Para este tipo de curativo pode ser utilizada gaze e até mesmo um copo plástico previamente perfurado no fundo.

Fixado o corpo estranho, a oclusão do olho contralateral deve ser feita por causa dos movimentos conjugados dos olhos visando também neste caso evitar o agravamento das lesões.



Nariz

As cavidades nasais são locais de ocorrência muito comum de corpos estranhos em crianças. Podem ser encontrados os mais diferentes objetos como pequenos brinquedos, grãos de cereais e outros.

Neste caso, a grande preocupação é evitar que estes corpos desloquem-se para o interior e, através da nasofaringe, venham a se alojar na via digestiva ou na aérea. O primeiro passo é ocluir as narinas, para evitar sua utilização durante a respiração.

Depois, se a pessoa for um adulto, deve-se pedir a ela para assoar o nariz na tentativa de que o ar consiga deslocar o objeto para fora. Se for uma criança, deve-se tomar cuidado na utilização desta manobra, pois ela pode não colocar para fora e sim para dentro agravando mais a situação.

Retirado ou não o corpo estranho, a pessoa deve ser encaminhada para o hospital para uma avaliação da extensão da lesão.

OBS.: Nunca introduzir pinças ou qualquer outro objeto na cavidade nasal devido ao riso de empurrar o corpo estranho mais para o interior ou ferir a mucosa da mesma.



Ouvido

Os ouvidos, assim como os olhos, são locais muito sensíveis e portanto passíveis de lesões capazes de levar a perda do sentido dos quais são veículo. Desta forma, prevenir o agravamento das lesões nesta área se faz muito importante.

Para realizar qualquer tipo de manobra de primeiros socorros, torna-se necessário, em primeiro lugar, conseguir reconhecer com qual tipo de corpo estranho se está lidando. Esta classificação começa diferenciando corpos estranhos fixos e móveis, sendo que os fixos resumem-se a todos objetos perfuro cortantes capazes de perfurar a região podem ser palitos de churrasco, facas e outros. Os móveis podem ser insetos, pequenos brinquedos, cereais e sementes.

Em corpos estranhos fixos, a remoção só deve ser feita a nível hospitalar, fazendo-se assim a sua fixação com curativos oclusivos e não compressivos. Esta fixação tem a finalidade de evitar a ampliação das lesões e o agravamento da situação.

Com corpos estranhos móveis a diferenciação dos seus tipos é imprescindível para que se adote as medidas corretas.

Se for um inseto, a conduta indicada é a colocação de 3 ou 4 gotas de óleo mineral (jonhson por exemplo) dentro do conduto auditivo. Este óleo imobilizará o inseto. Depois, deve-se retificar o conduto através de uma tração para trás, para cima e para fora, fazendo os movimentos típicos de quem tira água dos ouvidos (inclinando a cabeça para o lado afetado e pulando).

No caso de corpos estranhos inanimados a manobra indicada é lançar um pequeno jato de água na direção da parede posterior do conduto auditivo causando um turbilhonamento que deve ser capaz de fazer o corpo sair ou, ao menos, deslocá-lo facilitando a sua remoção. Se este corpo estranho inanimado for uma semente ou um cereal, ao invés de água, que proporcionará um aumento de volume deste, deve ser utilizado álcool, pois o mesmo fará a desidratação evitando que germine e dificulte a sua retirada.

Conseguindo ou não retirar o corpo estranho faz-se importante encaminhar a vítima para o hospital para, pelo menos, uma verificação da extensão das lesões causadas pelo mesmo.

OBS.: Nunca introduzir pinças, cotonete ou qualquer outro objeto no conduto auditivo devido ao riso de empurrar o corpo estranho para o interior ou agravar as lesões.

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